Por: Marcelo Antunes Braga
Nos últimos 15 meses, tive a oportunidade de passar 6 deles em Nova York. A cidade é inundada por pessoas de todos os lugares, principalmente países latinos. O que mais me atraiu foi a salsa, especificamente no 2. Posso afirmar que NYC é o melhor lugar para se dançar salsa no 2. A cidade possui tradição, concentra o maior número de professores de salsa, possui excelentes bandas e muitos latinos dispostos a dançar (difícil é ver um autêntico americano dançando!).
Quando cheguei, a primeira coisa que fiz foi localizar todos os professores que gostaria de fazer aula. Lá o sistema é diferente, o mais comum é pagar por aula, pois elas não são seqüenciais. O que pessoalmente eu acho ruim e dificulta o aprendizado. Existem os mais diversos tipos de aulas: salsa, shines, movimento do corpo, braços, giros, cha cha, musicalidade… Encontram-se também aulas de roda de cassino e no 1, porém essa comunidade é bem pequena em relação à que dança no 2.

Os salseiros são muito unidos e ativos! Geralmente fazem, no mínimo, duas aulas por semana. A aula convencional começa sempre com os shines, que dura metade da aula ou mais. É notável o uso de shines pelos dançarinos. Os professores argumentam que o shine é importante para o desenvolvimento do movimento corporal, do conhecimento do corpo e influencia até mesmo quando se está dançando a dois.
Quanto aos sociais, existe pelo menos um por noite. As músicas são muito rápidas (mas excelentes), o que deixa as músicas do Caribeño bem lentas. Lembro de ter tido uma dificuldade de adaptação com a velocidade das músicas quando cheguei. Em boa parte dos sociais há também bandas de salsa, o que nem sempre agrada os dançarinos, pois tocam geralmente as mesmas músicas e na maioria das vezes do próprio repertório. Um típico social é composto 80% de salsa e 20% de cha cha, que também é muito famoso por lá. Os bailes são repletos de pessoas, geralmente agrupadas por ”academias”, que se diferenciam bastante: umas pela velocidade, outras pelas técnicas de giros, outras pelos shines, outra por movimentos inesperados… Porém, não há rixa e em geral os dançarinos se misturam.
Há também diversas boates de salsa famosas, nelas, além da salsa e do cha cha, toca merengue e bachata. Nem todos os dançarinos gostam, pois geralmente o espaço não é tão grande e há pessoas que não estão lá para dançar, o que diminui ainda mais a pista. Sem contar que os salseiros de verdade não curtem merengue e nem bachata! (opinião pessoal
). Dançam só pra descontrair.
Uma cena comum por lá, é o dançarino levar sua mochila para todos os lugares. Nela, se encontra de tudo: lanche, anti-séptico, sapatos de dança, várias camisas, escova de dente, ipod, chiclete… Todos os lugares para dançar possuem um local para guardar a mochila, que é muito prática, dá liberdade para ir dançar, independente do que se estava fazendo antes.
Tive a oportunidade de participar de um grande festival de salsa de Nova York e Nova Jersey. Foi excelente! A estrutura do congresso é bem parecida com as daqui. O que muda é a escala: todos os quatros dias com 3h de apresentações de professores, quantidade imensa de dançarinos nas festas…
Também assisti a uma apresentação do grupo do Frankie Martinez, o Abakua, que durou quase 3 horas. Inesquecível, realmente um espetáculo! O grupo trabalha bastante o corpo com movimentos de origem africana. Frankie é reconhecido por sua agilidade e inovação. E é inspiração de muitas pessoas, inclusive minha.
Por último, deixo o convite a todos para irem a NYC para dançar, nem que seja por uma semana. Casos se planejem com antecedência, a viagem pode sair por um preço bem razoável. E garanto que será inesquecível, pois “se você acha NYC chata, o problema não está na cidade!”
Abaixo seguem dois links para dar uma idéia sobre a salsa em NYC. O primeiro é um dos calendários de festas com salsa e o segundo é um web site mantido por um dançarino que freqüenta quase todos os sociais. Lá a expressão Salsaholic não é uma hipérbole!
http://www.salsanewyork.com/calendar.htm
http://www.mambonyc.com
Viva la salsa!